7 de janeiro de 2018

Das casas





É só uma casa a sorrir
com os olhos e as cancelas,
ambos abertos
da falta do que habitam.

A casa coberta
sob um céu de bem carpidas nuvens,
mantém no forro das horas,
seu mínimo endereço.
- de ontens para fora -

Adorna de agoras
as árvores em flora,
a derramar suas filhas-folhas,
como quem polvilha - de si mesmo -
no terreno,  uma pequena alegria.

A alegoria da morada!

A casa-mito
com seu corpo-arbítrio
vai além do que acredito:

a glória do silêncio nos cômodos,
sob a licença de seus hóspedes,
no pensamento que passa.

Argamassa crescida sobre a terra.

É a rima da espera
com seus fonemas
dormidos no feno,

convictos por se trazerem
da tristeza,
num retrospecto de palavras
e cimento.

Já o sentimento,
é a aragem que se sustenta
no armazém interno de um mundo inteiro.

Celeiro em febre...
casebre escrito sem chave,
-  por vezes, na chuva, aguado  - ,
alugado na goteira...
para que o poema queira
o que ser.

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