2 de março de 2016

Mínimos Oratórios d'Água para Guardar Hojes

Óleo s/ tela - Tsunami - Laura Madeo


X - das Tsunamis -

Conseguíamos seguir
aqueles peixes que saltavam
 para fora do oceano.

A velocidade tão vasta,
 nunca menor que a sincronia
de ir embora.

Guiavam-nos num mar alto,
já sem espectros.
Sem mitos.
Em litros de palavras
doadas pela coragem que tem...
todo perigo.

Agora, jogadas num canto
do infinito
daqueles dias,
açoreiam as margens,
as cartilagens das horas...

Aragens incumbidas
de esquecer.

- desábito -

O sol abatido
 nas travessas das nuvens
continua
 a ser apenas o que sempre foi.

Um sol. Soldado. Solícito.
Mas que sabe raiar a água
com mãos de ouro.

Auras e ouriços.
No coração movediço
de lembrar.

Enquanto o retilíneo mapa dos sumiços
predomina. Desafia.

Havia uma bacia de alumínio
no quintal calorento de sermos
criança,

onde guardávamos tsunamis
em miniatura,

entre os liames das rendições e das solturas...

etéreas ondas vindouras
ainda estouram por dentro do presente
de nossas idades.

 Cidades interiores.

Incidem nas saudades recusadas
no recuo das memórias

dessas marés em crescimento.

Sonhávamos com Deus
numa plantação de alentos

em plena reconstrução
pelos cedos das manhãs.

E tínhamos o frio das tainhas.

E tínhamos cedros.
E tínhamos credos...

Nada do que não pudéssemos
nos salvar.

Chá das cinco

Relógio e xícara de chá - Regina Oliveira


O vento vasculha meus esforços.
Não sei se posso
arremessar-me dessa ilha
para as derivas medievais.

Não sei se devo
averiguar os verbos tanto, na verve
turva dessa instância.

Perder o prazo na dúvida
 num atraso da tristeza.

Organizo granizos sobre a relva
vespertina.

A tarde aglutina minha selva
posterior a tudo.

E mudo.

Salvo sálvias no interior da horta.
Legítima de charco.

Aorta marítima no relevar dos barcos.

Velejo bálsamos dentro do chá
das cinco.

Finco a âncora no amparo
do meu templo.

Amplio a casa no descaso.

Tento.