20 de junho de 2016

Mínimos Oratórios d´Água para Guardar Hojes





XV - dos temporais - 


É vento líquido e tem patas...
Movediças.
Compacta os ossos das cidades,
arranca as vértebras das árvores:
desplanta seus dorsos,
alguns pela metade.

(Excerto incompleto na dobra
da tempestade.)

Enxerto versos nas juntas das mãos
para os que oram comigo
no minuto escorrido dos socorros,
quando se morre no ventre
de um carro,

e a terra, súbita,
se contorce em seu transtorno,
sob as ferragens da chuva.

O coração colapsa
até a raiz.

Não vida mais.

Só o que vibra,
no lado de fora do vidro,
- moído -
é o que o céu delibera
no granizo final:
a voz dos estrondos
- nada outonal -
a estender seus raios
no meio dos medos
humanos de maio.

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