26 de abril de 2016

O outro Nome do dia



Não era de doer o dia. Se contemplamos a cerração da vida antes do mormaço. Andarilhos que somos de uma sempre nova espera. Se acreditamos desde já em nosso humilde desfecho cíclico e vimos melhor, por antecipação, nossa rápida participação nesse mistério. Não era de doer o dia. Mas se um cão bebe água da poça e no contar dos próprios ossos esboça-me sua fome, o dia passa a ter outro nome. Onde nada mais dorme. Sobre a plataforma disforme do viver vejo um viveiro à deriva...E tenho medo da raiva. E arranco a relva tentando salvar a calma na palma soterrada do lembrar. Se éramos pássaros e já fomos pomares. Se fomos areia marinha no revirar das ondas com seus nervos pelos ares. Nós, que sequer sabíamos chorar...desde o ninho das contendas, quando sonegaram-nos o canto nas quedas da floresta. Basta apenas mais um acalanto de concentração. Mais um, apenas, para que aguentemos o desaguar desatento das coisas prometidas. Para que o amor nos reaja em rajadas alcançáveis ainda nesses ventos. E o sofrimento nos proteja desses outros dias que faltam para salvar a luz dos esquecidos sob os limbos, sob os lírios do campo e os símbolos dos serafins, dos jardins enlouquecidos, das rosas enlaçadas ao corpo,  do torpor das calçadas e outros desalojamentos. Porque não é sempre que chove. Porque há de haver uma coleta de sóis mais amenos depois do que pudermos durar. Uma colheita a dourar a epiderme secreta dos destinos. Se não desistirmos no meio da flora do coração - também canino - No meio da última hora aberta sobre a terra. Quando lançarmos mão do aço e soltarmos do pulso o cronômetro do cansaço...e só a esperança, enfim, puder nos acertar. De vez.

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