26 de abril de 2016

Mínimos Oratórios d'Água para Guardar Hojes



XIV - dos resgates  -

Bendita a idade das suturas
se a água fratura suas datas.

Percorro os ossos das cascatas
feito quem resgata de si mesmo

o código de um ofício,
no córrego que passa
por dentro do cálcio, do ócio proibido,
entre os pés do precipício.
Trôpego. Antídoto.

Trafego uns princípios de louvor
e eles afloram no clamor do instinto,
em labirintos musicais

de um cais infinitamente distinto
 dos demais. Um cais já com muletas.
Navais.

(E as borboletas nos varais
recolhem a polpa dos orvalhos.

Além da culpa. Dos não-itinerários.

Embrulham nas asas o pólen
de uns rosários em flor
aberta pétala por pétala
dos calendários.)

Descansemos dos sentidos.
Anti-horários. Antigos.

Descansemos assim
que chegarem os querubins
para o restabelecer das águas
quebrantadas.

Cada água tem seu exílio.
Auxílio. Apelo.
Com seus cabelos em véu
de espuma e espelho,

uma a uma...
ainda prece.

Acresce-nos do que fomos
e do que não seremos...

nas refinarias dos dias menos
sagrados,
com nossas feridas contadas.
Mancas.

 Serenemos!

Mínimos. Pequenos.
Vertebrados e sós.

Tal qual a voz das ladainhas
no leito dos enfermos, saibamos

descer um tom e meio, a eito,
nos alados prelúdios de Deus
 e seus dilúvios-gládios.
Prévios. Do que está feito.

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