2 de março de 2016

Chá das cinco

Relógio e xícara de chá - Regina Oliveira


O vento vasculha meus esforços.
Não sei se posso
arremessar-me dessa ilha
para as derivas medievais.

Não sei se devo
averiguar os verbos tanto, na verve
turva dessa instância.

Perder o prazo na dúvida
 num atraso da tristeza.

Organizo granizos sobre a relva
vespertina.

A tarde aglutina minha selva
posterior a tudo.

E mudo.

Salvo sálvias no interior da horta.
Legítima de charco.

Aorta marítima no relevar dos barcos.

Velejo bálsamos dentro do chá
das cinco.

Finco a âncora no amparo
do meu templo.

Amplio a casa no descaso.

Tento.

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