24 de fevereiro de 2016

Mínimos Oratórios d'Água para Guardar Hojes

Cataratas do Niágara (Canadá) - Autoria desc.

9 - dos reservatórios -

Alojo hojes
desde as esfinges preparatórias
dos penedos.

Desde os flúmens minados nas regatas,

quando as cataratas
eram mais longe
que o despenhar da calma.

A espuma ainda espalma
noventa elmos emoldurados
nas quedas. Livres.

De onde estive
tudo se revira e se renova.
Fluido. Prova.

Porque eu liquido
 a antiga novena desgovernada,
para o equilíbrio do emblema.

É pela foz da lembrança que se revezam
essas rezas no poema:

raízes resignadas
em reservatórios.

De existir.

16 de fevereiro de 2016

Mínimos Oratórios d'Água para Guardar Hojes

Imagem: Marc Henauer
VIII - da imersão nos dias

Remir-me
no estreito dos igarapés,
através do corpo em salmo.
Salvo a promessa adiada
de esquecer aqueles dias.

Imersão. Compressa.
Glândula do rio.

Peito raso. Ocaso.
Olho mais fundo que o vazio.

Rápida calêndula. Gôndola.
Calendário d'água. Memória.
Morna. Sonda.
Sublimação do estio.

Lavar a cruz
do que não se cumpriu
esforça muito uma oração.
Se há elevação.

Escavo no rosto da sombra
um outro leito.
Até completar o abrir da lágrima
na remissão do extremo.

E remo.

10 de fevereiro de 2016

Mínimos Oratórios d'Água para Guardar Hojes



7 - Dos recolhimentos da manhã

O que é do relento
está preservado na procura.

Escultura líquida. Onda.
Queria quará-la até a pérola,
no rastelar da areia que recobre
a orla. Primeira e última senda.

Oferenda que
prometi ao sumidouro:

uma lavoura de córregos
que prorrogasse o sol, o soro
espelhado ao longo da lagoa.

Há uma canoa vindo agora.
Abrindo labirintos
enquanto rogo,
com o suor no gesto do gerúndio ainda...

O rosto alagado de nascença.

Rogo pela criança que era múltipla
de crença e riso.
   
Não ouso mais duvidar da súplica
desde as enchentes principais,

quando mananciais dormiam no sótão:
melhor superfície da palavra frio
e outros extremos.

Mas é das alturas pluviais que renasce
a floração nos ermos.

- Para sabermos.

3 de fevereiro de 2016

Mínimos Oratórios d'Água para Guardar Hojes


VI - dos entremeios da noite

Sempre por essas horas
turvas nos olhos,
tenho cais.

Levo meus castiçais
até um pequeno lago
anterior.

E chovo.
Do interior de tudo.

Atada
é que entendo as mãos.

Ateio fogo às velas sobre a mágoa
na embarcação.

Trago todas as sequelas
para fora da infusão.

Rezo peixes e versos...
submersos do que mesmo são.

E eles respondem
desde o primeiro deserto:

 todo barco que soluça perto
 do coração da correnteza,
 se torna leve no dilúvio.

Luz no declive do alívio.
Inclusive.