9 de dezembro de 2015

A antinoite ou o avesso do blecaute



A noite havia acabado de desistir de si mesma. Não escureceu, por insistência atenciosa do não. Guardou as estrelas e todos os seus aviamentos de céu. E não foi. E soube bem como não ser. E não sendo dormiu. Cedo. E. Não queria mais a sede efêmera no centro da misericórdia aos prantos. Aos humanos pastos. Aos restos tristes nos matadouros, antes de amanhecer. São muitos aos. Mas preciso continuar...Então, ela emprestava a distância em pedaços até se romperem os lapsos, as cápsulas, as penínsulas danificadas no peito,  os discursos e os cadarços, de fato. Nunca os laços. Tinha sapatos exaustos, inexatos  para os tablados pregados nos dois lados do fim. Do mundo. Porque o fim é assim. Duplo. Relâmpago amplo nos olhos dos postes com lâmpadas que acendem, mesmo que a noite não venha.  Foi um dia bonito. Automático de viver. Apesar da dúvida abreviar a súplica, pisei com desconfiança sobre o que não mais lembrava. O esquecimento estava firme mas eu queria ter certeza da gravidade das camélias, dos dentes-de-leão, das flores de algodão maciço nos vasos de aço. Das águas agudas dentro do sumiço. Alguns bichos noturnos não passeavam, assim como eu. Foram nove advérbios de negação até aqui. Fossem dez, fariam jus ao som de dizer da luz, que está cansada. Não?
- Seria a vez do sim...