7 de agosto de 2015

Breves Ensaios Recortados para Pulso

Quarenta e oito




Lembro-me bem do que eu disse. Que era pra abrir uma fenda a menos nos terrenos inexoráveis das planícies da razão e outras emoções complementares. Era perto o porto, portanto, acessível partir. Mas não foi assim. Foi pior. Pincéis e mísseis atravessaram o corpo do sonho nessa mesmice nascida dos cansaços. Sem a elegância  do esquecimento, é claro.  Mais isso agora!  Esses navios deteriorados de esperar. Estão por toda parte. Não sei o que faço. Não será diferente a lente ofegante da memória.  Esse elefante de marfim sobre a estante dos alvos. Esses livros...e esse leão que me olha do fundo dos ossos. Não sei se posso reparar sua dor ao mundo. No mundo. Ferida exposta. Gasta. Mais esse agosto, agora! O rosto inexistente desponta na pintura. Me espia, perfura o gesto, o gosto, o resto encoberto da candura.  Quem diria adeus a um tempo em plena hora segura?  Limpo os dentes da distância porque talvez tenha que sorrir de novo e isso é  incomum, dependendo do canto. Implanto outras mastigações na saliva nervosa, para salvação das expectativas.  Costuro vigílias nas gengivas pensativas dos projetos. Protejo-me do beijo alojado nas bagagens perdidas da coragem. Por que? Porque é mais inútil. Manter o útero aberto no lado mais forte do mistério das coisas nunca absolutas. Lembro-me muito bem do que eu disse. Que o desperdício desistisse da eternidade. Por pura precaução do sal. Da saudade.