1 de abril de 2015

TREZE

da série
Breves Ensaios Recortados para Pulso

Se eu te falasse, diria das cerrações. Tão baixas se vindas de ti. Eu falaria da escassez das promessas, pequenas demais para que eu te esperasse cumpri-las. E mencionaria falsos cristais com os quais acariciaste minha língua; Reverteria teu corpo do meu, com palavras refeitas em partículas de tempo. Protegeria os fluidos de nossa culpa posterior. Se eu te falasse, seria com rastros de beijos infectos durante a ausência. Te pronunciaria - aos poucos - o enterro dos sete vampiros que amei; Da luta permanente para resistir à vontade de acordá-los. Se eu te falasse, seria depois de recolher os olhos e a medula. Seria para adiar o inferno. Proteger-te do ódio involuntário, com antecedência. Se eu te falasse, suplicaria as flores que desisti no solo de tuas atitudes. Inférteis. Se eu te falasse, diria das cerrações. Tão chuvas em mim, se vindas de ti. Se eu te falasse, seria com tempestades. Tão velhas que já não conseguiriam fecundar o sol. Depois,  te professaria uns futuros que seriam sonháveis, não fossem incapazes de ti. Se eu te falasse, não bastaria.