22 de março de 2015

poema amanhecido



A fala afia a carne.
Avulsa veias de arame
no cerne da poesia.

A língua se desfia no germe
da palavra faca. Falta.
Escava teias de lume
no gume  amanhecido
do poema.

O poema atrofia lâminas
no osso mínimo
da alma:
celeuma de sonhos 
decompostos.

O verbo dos opostos
desafia a pedra
no alpendre esconso
dos desejos. 
Apazigua o nada.