3 de março de 2015

prosa poética...

da série
Breves Ensaios Recortados para Pulso
VINTE E TRÊS

Salivar de sol cada manhã mal desenhada, quando bebo uns cafés semelhantes à vida: insolúveis. Deve haver um reflexo de verdade em nada disso. Mas perguntar é insone demais para sorver o risco de acordar por dentro. Faz águas decretei silêncio aos invisíveis que me pronunciam em amor. É que as palavras ficam rasas em xícaras de carne.
E é de porcelana esquecer.
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Breves Ensaios Recortados para Pulso

QUATRO

Segunda-feira.
 Vejo o sol nascer pelo espelho retrovisor da alma. À frente, corredores imensos, brancos de procura; Fechados em seus finais mas os olhos inventam horizontes  para contar, cortando de medo,  sempre dialético, essa manhã geométrica.
Meus dois lados acenam-se contra a despedida: dois gerúndios confundidos sob a neblina dessa espécie de sono ao quadrado.
 É preciso levantar para limpar a dor de hoje. É preciso? Sim. Engraxar os sapatos novos - ainda que novos - aos velhos caminhos. Sacudir as retinas para que o cotidiano remova mais uma vez, a poeira do indesejado: ceder o corpo ao lado de fora das paredes.  Exercitar os músculos dessa viagem, para manter em forma o tédio.
Fazer o desjejum. Sair. Arriscar-se.
Correr de encontro às iscas de mais esse dia, que Deus já saiu para pescar.
Mark Rothko, 1951