28 de fevereiro de 2015

um pouco de prosa...


Breves Ensaios Recortados para Pulso

UM

Remendo a arte descosturada pela farpa de meu calendário atual. Estou por um fio, suspensa no descontentamento maciço, dobrado a ferro sobre a coluna das fés, essas que costumo armazenar para os dias e noites vindouros. É assim que alinhavo o estômago desta invernada por onde me esqueço de nascer. É assim que domestico a contragosto a úlcera da espera. 
Tomo cataflans de seis em seis horas mas às vezes também esqueço. O tempo não regenera a covardia de certas escolhas. 
Cancelo compromissos que a vida intenta, efetuando bolhas na sola dos sonhos. Sovo de fuga as amplitudes deixadas de lado, para dedicar-me à ignorância dos que resolveram me acariciar de inutilidades.
 Não faço dívidas para contradizer a Deus. Sonego afetos. Atraso-me aos amigos feito alguém que precisa chegar mas enfrenta engarrafamentos incuráveis. Tudo transita.Congestionada a alma, os sinais estão parcialmente fechados, intermitentes feito um pulso recortado em três. Tempos.
Mark Rothko