25 de dezembro de 2015

Que horas são?



Já vai anoitecer. Dormem os despertadores. Concentram-se as casas. As cozinhas. As coisas em seus lados de dentro se arrumam. Cheiro de Chá. De coentro. Faz bem para úlceras e dúvidas. Acelera o lirismo. Nesses meandros. Florescem quadros. Escudos. As tábuas dos barcos. O ar. Há um não-lugar fundamental para tudo. Eu sei. Existirá espera maior que a fuga? As possibilidades arrancadas de seus eixos, feito peixes, nem sempre se deixam abater. Algumas voltam sozinhas. Pulam para dentro ou para fora dos agoras. Revogam-se de fé até o afã de um novo curso. É isso! Isto é uma defesa sem época. De defeso. Preciso retirar a tensão destas palavras. Preciso tentar retorná-las até o seu estado inicial de correnteza. Fazer a gentileza do silêncio. O silêncio não é mais do que o corpo ainda não sabe. É um discurso. Ouço meu coração bater. E as portas. E os sustos. Motor de pulso. Fluido. Tenaz. O sangue faz um ruído de rio atrás do ouvido. Desce, pescoço adentro. Sobe. Ondula levemente a arte nas artérias. Engulo a saliva breve. Repetitiva. E o rio segue pela máquina jugular de que sou feita...Ou desfeita? Ainda estou aqui. - você está -  Existir é um tom. O tempo me alega - sem erre - e estreita. Nada é trágico. Sou apenas mais um relógio humano. De cordas e vestígios. Emano. Vogais. Vocalizo a água que esvazia dos dias.  Atravesso a ponte entre os ponteiros. Pondero a válvula mitral involuntária que me atreve. Abrevio o óbvio pelo menos tento. Sem vírgula. Fôlego pouco. Escrevo para aliviar a garganta no vento. Pra perguntar que horas são. Que horas sou...por exemplo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário