25 de novembro de 2015

Antes de Amanhecer

Nu Descendo a Escada - Marcel Duchamp


Amortece-me a noite feito um azulado cavalo negro. Magro. Não, ele não é alado. Agrego ciclos infinitos no que não me vejo. Protejo potros indefesos nas guarnições da chuva, só que não quero falar de chuva. Mais. É cansativo. Preciso estancar as pancadas do pensamento, em terrenos menos movediços. Disso depende isso. Alagar. Não. Legar. Não. Largar. Também não. Ligar. Não encontrei lugar nem palavras que soubessem salvar a altura do invisível que me circunda de tudo em comoção. Foi então que construí essas palavras: párpio, flanura e auriência. Para designar a essência da mais neutra solidão. Inédita, como se fosse de outra desordem. As novidades estão lúcidas...comprimidas em comprimidos de aceitar. Nada mais tem pressa desde que absolvi o futuro. Há tonturas expressas aqui. Sento-me numa escada que nunca vi antes. Escuto para baixo. Deixo os escudos de lado na escala das fúrias. São árias antigas, cantigas contidas nos restauros da razão. Centauros dormem sobre o colo das esperas. Colocam-me em estado de reintegração no mundo. Às vezes choram um pouco de lutar porque têm as articulações machucadas contra o fracasso. O fracasso não erra mais de uma vez.

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