23 de outubro de 2015

Um pouco de prosa...



da série
Breves Ensaios Recortado para Pulso

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Sinto sede. Entrarei logo cedo no  assunto pois preciso comprar pão. Que um violoncelo rubro reabrisse meu sonho no  estranho da noite era o que eu queria. Ontem. Mas não.  Estou indo à padaria, agora,  enquanto penso enlaçada ao sono que sobrou da vigília nada musical. Digo que a noite me acordoou por inteiro. Não adormeci para que a lucidez me guardasse um pouco mais. Porém,  não adiantou. Tampouco adiantaria chorar. E não é pra menos!  Tenho  braços pequenos pra sonhar com violoncelos. Por isso, poupo meus ombros e pernas, a fim de retocar as ilusões dos escombros para os quais fui cifrada. - Não era minha essa partitura. -  Vou dizer em miniatura, que talvez doam os pulmões da mudez, quando brotarem as flores aéreas e, desatados,  voem em forma de borboletas iniciais. Sem mais absurdos. Feito dois arbustos, bifurquem-se nos medos, nos meados do começo. E inspirem o grito mais agudo, por entre os tubos da falta, da flauta de tudo.  Talvez esteja lindo o dia, mesmo com seus alvos consumados. E os declives sem alívios. E as claves. Talvez eu tenha um barco azul e branco e águas inéditas embalem-me num silêncio definitivo. Talvez eu alcance o outro lado do talvez e isso não seja uma prosa mas  uma represa às pressas. Antes da hora.  Foi assim que amanheci. Por absoluta falta de audição: eu não soube ouvir mais do que pude. Quero pães doces.
Umas xícaras de açude.

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