11 de setembro de 2015

Mínimos Orátórios d´Água para Guardar Hojes

III - NOITE



É quase ontem
em alto mar.

Do altar
escuto o escurecer

na escolta do sono.

Sereno em volta.
Escunas e sinos

Meninos longínquos
ensinam-me
- num choro secreto -
sobre o chão dos olhos
submersos
no rosto.

E me decretam
ser humano

 nas falhas.

Resgatam-me do rito
aflito
dos afetos.

Há sempre uma tontura
no caminho,

quanto menos marinho.

A mente reage em giro,
agora.

- Qual a parte mais segura
dos redemoinhos? -

Rodopio-me de dúvidas
para baixo da ausência.

A fim de que os eixos

dos seixos
me puxem a salvo

até o trapiche ou navio
mais próximo.

Desconfio da chance,
pela última vez.
 
Nessa escassez de alívio
me dilúvio.

Sou minha própria
âncora.

Elevadiça.
Manca.

Avanço-me
na alavanca dos vínculos.

Clavícula exposta
desde o labirinto.

Retorno à tona.

Em oratório secular
respiro.

Mantras escorrem pela boca
da noite
afora.

Migram a sede
até a outra margem

das demoras.

(De morar)

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