19 de agosto de 2015

Mínimos Oratórios d'Água para Guardar Hojes



II - TARDE

Um rosário de chuva
se move.

Envolve-me
na verve parda
da tarde,

como se não fosse
anoitecer.
Logo.

Rogo-me
num recital celeste,
 
engasgo em mim o antigo lago,
a lágrima álacre.

Grisalha. Ancestre.

Esgrima pluvial:

uns acenos feito espadas
d'água,
cruzam-se no vento
da enxurrada
monumental.

Molham tudo
o que não fica
no lado de fora

do  adeus.

Liquificam a fala
sob as capelas da pele

reabertas nas contas rasas
das costelas.

E inauguram
o recomeço
da promessa.

Sem que eu impeça.

Teço-me terço
na quinta essência
dos mistérios.

Já é terça-feira na ferida.

Intimidam-me ainda
as retinas da terra,
olhando-me de dentro
do rio,

à vespertina maneira
das esperas,

se os remos
são vésperas.

Trago as vértebras rezadas
nas roseiras do corpo,

esse campo de estancar améns.

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