20 de junho de 2015

um pouco de prosa

da série
Breves ensaios recortados para pulso

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É sábado e eu caminho em dobro. No lado mais lacrado do retorno vejo o céu, com seus ossos nublados, dublando a friíssima tarde. Deus canta. Pede que eu me invada e invente  novos esquecimentos a fim de expandir o trajeto em direção a cavernas mais amplas. São templos de restaurar flores para os rigores do inverno, nesses vasos comprimidos,  cansados do coração que se adianta. Em tese, tropeço diante da morte tantas vezes e ela -nos cantos do tabuleiro- me levanta. Sim, penso em Bergman, do filme. Penso nas sete cartas que não postei, enquanto submergem alecrins de coragem nessas xícaras de trazer calma. Talvez algum sono.  Insanos cântaros cheios de chá profanam toda a água brotada na antiguidade dos olhos: depõem contra a minha sede desde as paredes da garganta. Acaso-me de enigma porque estou me dobrando à obra e não sabia. São outros os tempos verbais agora, e era da alegria que o mar estava faltando, quando me bebia. É na alegria que sempre me perco. Eu prometo.

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