2 de junho de 2015

um pouco de prosa

da série
Breves Ensaios Recortados para Pulso

TRINTA E UM

Wassaly Kandinsky - A Batalha

Escrevo de próprio punho. Aberto. Já é junho e eu proponho não desistirmos do fim, porque o fim é tão recomeçante. Suscita coragem. Sem adornos, mas bem depois. Exercita viagem de retorno de tantas coisas e não-coisas e, sabe,  algumas nem  chegaram a partir. Porque nunca estiveram. Mas como eu estava dizendo,  regressar é difícil. Principalmente quando não se pode ceder aos desvios (quem precisa deles?). Por dentro, os roteiros são os mesmos. Os mapas estão fixos. É tudo tão redundante e ameaçador e agora eu tenho  que perdoar a dança das migalhas e desconstruir a morte, a vida,  a sorte, os cortes, as côrtes. Desconstruir necessita demais de  inéditos caminhos. (Interiores?) Além disso,  não sei se posso suportar uma existência inteira de acasos, sem esculpir-me; Sem escapar-me do que não foi. Casa de seixos. Deixa-me ir. A solidão está convicta de que vou separar as conchas. E remover os peixes. E avaliar o sal em sua pele. É tempo de retirar, dos sonhos, o pior; Retirar também a gentileza a esmo,  exposta na fratura dos dias. Não. Não diga que sou doce. Amanhã poderei ter formigas na boca. Quem nunca?

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