9 de junho de 2015

prosa poética

da série
Breves Ensaios Recortados para Pulso

 22
Saul Vilela



Acrescento-me de escrita para remendos mais azuis, hoje. Azuis-precisos. Celestes, as órbitas e os glóbulos reconduzem-me  aos estertores dessa música incessante, concentrada no extremo convívio de tudo (Tudo o quê?). Não posso parar para pensar agora e vou rápido para não perder o que me espera nesse fluxo assistido. Já perdoei as memórias por puro excesso de  abandono, mas isso não vem ao descaso. Apuro-me em autêntica audição para os  prelos acumulados de expectativas bem mais agudas do que isso. Quando eu podia supor suportar-me em atlântica saudade, era um sintoma muito cedo ainda,  para alguém que mais tarde saberia da anatomia desses barcos só de ida.  Adiei-me, assim, de silêncios baldios sobre os terrenos do peito em foice, pois é próprio da dor transformar-se antes da glória. Limpo o quintal. Há um rondar de águas aqui nos olhos em movimento, antes de qualquer auxílio repentino derreter o metal de meus poentes,  rente às consagrações desabitadas da razão. Aceito o não-futuro-fruto  rasgado da ação, medida a um palmo de tristeza. Tenho tanto rezado nas dobras desse tempo, que aumentei consideravelmente de hiatos minha respiração. Dilato a vida nos muros quebrados do olhar.  Sem surpresas. Mas no fundo tenho pânico. De oceanos e acenos. Esfrego os olhos do rio na correnteza.  Não esvazio nunca o sono. Corto uma laranja no meio da noite mas não adianta. Vejo dois anjos maciços no canto esquerdo da esfinge. De longe, atinjo-me na cavidade da falta e há um temor razoável:  um possível tumor às pressas que me traz flores para a despedida. Não será fácil agradecer ao medo tantas flores. Mas elas serão fortes feito aquelas ancoragens de estimação. Costuradas à mão.

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