14 de junho de 2015

manhãs de estudo com Blanchot


Café de estudo com meu amigo Blanchot...

"Rilke desejava que o jovem poeta pudesse perguntar a si mesmo:  'Sou verdadeiramente obrigado a escrever?' a fim de ouvir a resposta: 'Sim, é preciso.'  'Então , concluía ele, edifique sua vida segundo essa necessidade.  'Esse ainda é um subterfúgio para elevar até a moral o impulso de escrever. Infelizmente, a escrita é um enigma, mas não fornece oráculos, e ninguém está em condições de lhe fazer perguntas. 'Sou verdadeiramente obrigado a escrever?!' Como poderia interrogar-se assim aquele a quem falta toda linguagem inicial para dar forma a essa pergunta, e que só pode encontrá-la através de um movimento infinito que o põe à prova, o transforma, o desaloja daquele 'Eu' seguro, a partir do qual ele acredita poder questionar sinceramente? 'Entre em você mesmo, busque a necessidade que o faz escrever.'  Mas a pergunta só pode fazê-lo sair de si mesmo, arrastando-o à situação em que a necessidade seria antes a de escapar àquilo que é sem direito, sem justiça e sem medida. A resposta 'é preciso' pode, de fato, ser ouvida, ela é mesmo constantemente ouvida, mas aquilo que no 'é preciso' não se ouve é resposta a uma pergunta que não se descobre, cuja aproximação suspende a resposta e a torna desnecessária."

(BLANCHOT, Maurice. O livro por vir. São Paulo:
Martins Fontes, 2005. p 40-41)

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