2 de maio de 2015

Pra não esquecer de ler...


Viagem representa um momento de ruptura e renovação na obra poética de Cecília Meireles. Até então, sua poesia ainda estava ligada ao neossimbolismo e a uma expressão mais conservadora. O novo livro trouxe a libertação, representando a plena conscientização da artista, que pôde a partir de então afirmar a sua voz personalíssima: "Um poeta é sempre irmão do vento e da água:/deixa seu ritmo por onde passa", mesmo que esses locais de passagem existam apenas em sua mente. Como o título sugere, o livro é uma longa e sedutora viagem, mas por rotas imaginárias, identificadas pelos sonhos que se dissolvem em lonjuras sem margens, com vaga consistência de realidade, na qual as palavras se harmonizam em pura música: "Estou diante daquela porta que não sei mais se ainda existe... Estou longe e fora das horas, sem saber em que consiste nem o que vai nem o que volta... sem estar alegre nem triste" Encontro consigo mesma, revelação e descoberta, sentimento de libertação, desvio pelas rotas dos sonhos, essa Viagem se consolida numa série de poemas de beleza intensa que, por vezes, tocam os limites da música abstrata.

Fonte: www.globaleditora.com.br

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