29 de abril de 2015

um pouco de prosa

da série
Breves Ensaios Recortados para Pulso

38

Óleo s/ tela, Edouard Manet, A Execução de Maximilliano

Sem poesia hoje. Sinto distâncias mais graves do que o normal. E isso é meio mortal. Ai, perdoem a rima fácil. Perdão é difícil, eu sei, e pode ser confundido com... tolerância, por exemplo. Porém, me disseram que é preciso preservar a dignidade. (Qual? Quem define o que é digno?) Esquecer. É uma condenação também. Fazer a penitência diária do silêncio. Ser criativo na renovação da indiferença; Que voltar atrás significa não ter amor próprio.  Por que o amor tem que ser próprio? Deve ser porque o alheio é perigoso demais. Os vidros ficam assim depois da queda, vocês sabem. Facilmente são absorvidos pela carne. Se vissem o que estou vendo agora... É de cortar o coração. Um peixe está sendo “limpo” vivo. Sabe o que é ter a cabeça ceifada aos poucos, com os lábios ainda em movimento? O medo se debate no corpo, meu e dele. Os olhos se apavoram. É uma dor sem volta. Rasteira. Indigna.
Executória.
Doer é humano!

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