18 de março de 2015

um pouco de prosa

da série
Breves Ensaios Recortados para Pulso

OITO

Léo Brito - Dança na Madrugada


Ensaio sintomas de anestesia. Mais no espectro do que no resto. Manifesto-me com palavras amenizadas de vísceras. Um pouco quero ser mais fácil,  na medida em que me desprendo dos limbos de certos terrenos, enxertados de carne e gesso. Um pouco contraceno com as mãos, na tentativa de retroceder a todas as vezes que sem querer, parti. Despeço-me ao contrário, já que os itinerários, de repente, perderam o senso. Estou saindo lentamente do útero do tempo. Às vezes volto porque meus desperdícios adormecem em relógios de vento. Estou saindo em plena consciência de ser. Acumulo mais que uma dimensão no centro do peito mas não sei explicar. Improviso silêncios exteriores para poder dormir, como se não fosse inútil apagar a luz depois do cigarro. Minimamente posso ver além da que me perdeu: esta outra de mim designada à contraface do espelho. Calculo a profundidade do retorno. Será difícil não demorar durante a dor. Edifico túneis por dentro da música provisória que me inventaram, quando minha última fuga era esquecê-la. De ouvido.

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