7 de março de 2015

prosa poética

Breves Ensaios Recortados para Pulso
SETE

Regressei de escolhas. Porque eu havia desacreditado demais no amor para voltar atrás. E tive que ferir os lábios ajustando beijos a bocas que não me cabiam. Mas agora...É da transição que estou falando. De dentro da transição para a qual fui chamada ainda que agora. É do arrependimento brotado em cada estação que nasce a muda. Meus anticorpos têm funcionado bem. Na medida em que combatem o vazamento das veias que violei, também bordam em alto relevo sobre a carne, possibilidades. Por outro lado, se é dever cumprir os impossíveis, também não há escapatória quando o seu avesso resolve atravessar certas portas fechadas por precaução do abandono. Já estou com as mãos agarradas às margens do poço. Mas os pés ainda estão suspensos. Há meses trabalho na construção do impulso. Estou olhando para o salto. É para isso que recuperei o movimento dos músculos. É claro que percebo a cilada, mas dissipo-a e assim...humildemente mordo a impossibilidade, quero dizer, a isca. Para saciar o corpo da entrega da entrega da entrega. Posto que amor é coisa para peixes, melhor mudar de ensaio.
Composição com Peixes- Francisco Brennand

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