9 de março de 2015

A mulher de que sou feita

Obra de Di Cavalcanti
A mulher de que sou feita
não me falta;
ajeita aos percursos do corpo
 discursos em harpa,
 para as farpas sobrevindas no tempo.

Um campo repartido de música,
com flores carpidas dentro,
a concentra.

Nos epicentros
a mulher em que me salto
ainda reage... range;
Refaz-se no manco dos tamancos.
Abrange-se da história!

Já não brinca nos brincos perdidos
das falanges.
E quase tudo o que lhe fingem
 não mais a atinge.

A mulher que de mil longes
me euforria, chama-me;

Toma chope, choque, chute;
 tem chistes, encharpe e chapéu.

Insiste em desbravar o céu do céu.
- depois consegue -
É linchada, às vezes dentro,
às vezes fora
 do véu.

A mulher que em mim se assenhora
devora o muro dos murmúrios.
Melhora-se em mar, alma e cerne.

Já não esculpe o amor
 no mármore dos mitos,
os quais talhando
desabito.

A mulher em que me hospedo
aprendeu a domar metade das pedras:
emparedou-as nos preâmbulos
do rio.
Não lembra mais em que rio.

Desafio de não saber o que não serve,
na luz aberta dos critérios,
mais amplos, agora.

A mulher em que me exemplo
não se isenta daquela que não fui,
mas flui, atenta,
no tinto vinho dos quarenta.

Experimenta a vida e já não engole
golpes em goles de paciência.

Passeia nos galopes velozes da essência
antes da ausência.

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