19 de janeiro de 2015

Extremidades

Volumes e Volúpias - Mayra Lamy


                                "Minha cabeça estremesse com todo o                                          esquecimento.
                                 Eu procuro dizer como tudo é outra                                             coisa."
                                         Herberto Helder

Para cada extremo há um tremor,
um movimento de dor às cegas,
treinando a fuga no corpo de alguma trégua.

Para cada trégua há uma pedra
guardada
no sangue dos reconcílios.

O amor é filho incerto da promessa
que nunca é dívida dividida
mas dúvida sem quitação.

Para cada extremo há uma extrema-unção,
compressa de alma e sal
que leva o raso da vida
e lava as razões
pelo lado de dentro das feridas.

É preciso ausências mais fundas
para o abrir das novidades.

É preciso distanciar-se de si mesmo
para abrigar as jaulas vazias do retorno.

E pertencer às solturas;
ter as malas sempre prontas
para um lugar inédito de prantos.
Nunca isento. Mas imediato.Extremo.
Cheio de tanto.




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