30 de janeiro de 2015

Entressafra



Solo em repouso.
Não ouço o sopro da pausa.
Não ouso mexer em minha ausência.

Sou a casa em que me falto.
Sou o salto em que me espero
na sala de estar da terra.

Adubo-me em ferro aerado.
Assim, semeio-me mais forte.
Sempre!

Preparo-me entre o arado
com areia nos veios dos cortes,
embora quisesse crescer no mar,
numa pequena lavoura de água
 e sal.

Salmoura que florescesse a cicatriz
na semente principal.






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