11 de janeiro de 2015

À Queima-roupa


Curva-me em rio o tiro repetido
a esvaziar o peito.
Todas as dores, antes unânimes em mim,
agora  são lemes mas não reagem.

Crava-me a margem de que sou feita,
de onde já posso desossar os sonhos.
Eu, que nunca fraturei um,
por natureza ou recompensa,
descanso todas as metades
mal matadas da vontade.

Alivia-me a crença machucada
nos dedos abertos em cordas...
de arames e alardes farpados.

Ausenta-me a fuga enfim aceita
nos muros da morte.

Corta-me em peixe e em pedra;
joga-me em iscas, o sorriso em lascas...

E nunca mais me busques do que preciso.


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