21 de dezembro de 2014

poema deixado na porta da tarde...

Joan Miró - Interior Holandês 

Um mutirão de palavras
trabalha sobre o que ainda não sei.

São aços acelerados
que dobro feito lenços
na cabeceira da alma.

Às vezes são sobras inacabadas
e as dou de comer aos cães
se eles crepitam
na madrugada estanque,
quando fazem do meu peito
a extensão de suas patas.

Cada cilada esbanja seu próprio talho
 por onde verto.

No aberto da casa
já não sou oferenda às caças
e só descanso fora das promessas
escassas.

Tenho relíquias invisíveis...
tranquilas no esquecimento.

Aumento as demoras
alojadas no pulso.
Sou o alimento avulso dos relógios extremos.

Suprimo forças na beleza
das vésperas de qualquer milagre.

Depois me alegro no rosto magro
das palavras
que em mim se agregam.

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