14 de setembro de 2014


exercícios mínimos para tigre




Um tigre recolhe as garras do dia.
Apura meus olhos para a paisagem:
cinge-os nos tecidos da calma
até o coma da passagem.

Ele não fere de falha
 minha fuga
nem perdoa remendos
 na espera.
       
Um tigre me acorda no pardo das horas
para o sacrifício do pasto exposto às feras.
Borda em meus pulsos
 o bordô  das veias
abertas em mapa.

E já não mata-me o tigre:
 retira-me dos rios, da caça;
 dos tiros sem causa,
das coisas sem voo, nem pouso...
de tudo o que não pausa.

Depois, cauteriza o pânico
próprio das presas.

Com sua beleza tântrica
embrulha a nervura
do quando.
















Crepúsculo.
Uma borboleta  aleatória
circunda sobre o músculo
latente do mundo.

Tremendo as asas,
 diante das coisas advindas do medo,
muda de ida.
Paisagem na Lagoa


O pescador,
na epígrafe da tarde,
se perde sob a geografia
das redes
em forma de grades.

Agradece aos escombros ensinados
nas ilhas.

Recolhe gravuras de sol
para as bordas do barco.

Transfere o caminho ferido
para o centro do ventre

de uns cavalos-marinhos.

Adentra um mantra no vento.
Sozinho.