19 de maio de 2014

Lavar a louça cedo.  
Pensar no quanto é longa
a estreia da luz.
Luz com cicatriz:
desintegra
minhas instâncias
num contínuo espetáculo
se os cegos me projetam.

Trajeto e lágrima.
Cebola exposta.

Eu derrapo meus olhos no final das águas.
Seguram-me as mãos inacabadas
do merecimento.
Soltam-me.

Escolta de espuma e coentro.

Córregos a tempo
restauram o caminho de nascer das alfavacas:
deslocam duas margens
gêmeas em distanciamentos.
Destroncam da alma os ossos
mais extremos.

Peixe sem espinha dentro.

O corpo de vidro desses copos estendidos,
não suporta a fúria
dos pequenos redemoinhos,
pois precisam ainda de fé
no quebrar da pressa.

Agora, cabe aos meus pés
a intromissão da fuga;

Agora, cabe aos meus pés
o descarrilar das facas.

E caso despedace de promessa o aço,
em meio a protegida existência já fora de alcance,
compete a mim deitar-me antes dos mistérios;
antes dos escárnios que nunca se inclinarão
à fechada infância de meus sois...
subdesenvolvidos,
incólumes às depreciações
do que também eu não serei.

Escaldar travessas...

para que aprendam a entristecer-se com precaução
ante os argumentos que não causei
no amplo espaço de vendar a culpa,
com desvantagem diante dos ondes
em que jamais estive.

É longa a estreia da luz
longe de teu capuz invertido.

- A pia está limpa.

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