23 de julho de 2012



Tenho tempos de não pertencer.
É sempre no começo do equívoco
quando as desculpas acumulam-se na espera
e solicito-me em retirada.
Tenho tempos de moldar o sal...
Limpar o meu quintal
e perceber que os limões amadurecem.
Eles nunca duvidam.

Os Cata-Ventos de Éolo

Miragem - Catarina Leite
Tempo de reiterar cavernas.
É teu inverno.

As ondas crescem
feito cabelos 
que o vento puxa a arrebentar.

O mar austero
sacode teu sono;
insana teus cães anoitecidos.
E teu medo é só a infância de qualquer perigo.

Quando o silêncio é imperfeito
deixa esse mugido extremo nas coisas não ditas.

Se acreditas agora, na súdita voragem
dessa viagem ao contrário,
nada mais te será estranho 
apesar do discernimento.
Exceto o manto das rajadas
sobre tua casa.

Golfos de paciência!
Golfos de paciência
não revogam caminhos.

Antes do pensamento
tua experiência se arrasta 
já sem duelos.

Tu e Deus
nos cata-ventos de Éolo.
Vossas ausências alinhadas.

Richard Marchand