6 de fevereiro de 2012

Do Livro de Isólithus

Décima Segunda Revelação
- a revelação final - 

 Wassily Kandinsky - Composition VI 


Saberás desabitar teu tempo
nas vértebras dos colibris.
Ainda que colidam esperas
e multipliquem-se de vésperas;
ainda que removam teus navios
e os desafios envelheçam.

Saberás do espelho
nos rigores da máscara
que transborda a cara.

E tudo será retrospecto,
avulso...
sem ramificações
que não sejam marítimas.

Saberás legitimar das fraudes
o esquecimento;
a desmemória chave 
do que não recomeça
e já não pode ser outro
por falta de pacto.

Sorverás da palavra
a nódoa
imperdoável
de qualquer beleza.

Rezarás inúteis distâncias
por causa das gentes
e estas ressurgirão
no tardio de cada urgência.

Saberás
no pontal das cegueiras,
das bandeiras que dissolvem
quando feitas de gelo e sal.

Deixarás teu tempo
como o animal que deixa
- do combate ao ninho -
o incompatível caminho.

É teu sigilo voltar.