30 de março de 2011

Do Livro de Isólithus

Vladimir Kush


 Quarta Revelação


Flor inicial:
o invisível arco de tua lembrança,
entre borboletas e guepardos,
vacila poemas, pérolas, silêncios...
reparte projetos
em sistemas vazios.

Acrobata da literatura,
invergas imagens
indomáveis às palavras 
que não voltam 
na mesma frequencia.

Indefeso, teu silêncio.
acorda gesso,
empresta tua distância,
engasga nos oceanos
da língua.

Teu cadáver - amenizado na luz -
fuga as paredes
na espessura móvel
do amor
e seu fútil cansaço
após o quarto.

Tu fazes a não-estação.
A sensação do teu dever
jamais cumprido.

Flor final:
não há conciliação adequada
para vidros moídos.
A multiplicação do frio,
com o tempo
quebra as janelas do inevitável
e já não ofende.

Estás no altar de todas as ausências.
O cálice vazio de tuas forças
se desprende dos milagres.

O erro está liberto
se um tigre é teu discurso.

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