3 de janeiro de 2011

Mínimos Cânticos de Aportagens



1- Da Chegada

Repentina e tão esperada âncora.
Descansa machucada proa 
de meu batismo
no rigor das essências e das escolhas.
Por teu sol
a conversão de meus abismos.

Protejo teu colo: região ultramarina
no coração doce da  flauta.
Enquanto a falta escoltava esperas
Vieste com a frota das quimeras
acordando 
arco-íris-marinhos



2- Dos Descobrimentos

Pérola instantânea:
no centro de teus olhos
refaço os meus
com nácar de proteger ostras.

Iemanjá, de imprevisto, aponta para mim
a Dona de minhas águas.
E avisto no corpo de fevereiro,
tuas mãos em concha
fazendo a oferenda
das palavras que naufraguei.



3 – Das Rotas

Eu venho de ti
E é para ti que estou.
Que sou...
                Que vou...
Alma, corpo, rosa-dos-ventos.
Alpendre dos sonhos, água, sal:
refazimentos.
A música eflúvia aninha tuas palavras
no ventre semi-aberto da beleza.

E os sete barcos cifrados em ti
se alinham aos olhos de Deus:
cantam tua chegada
no mundo que sonhava circunstâncias
melhores
pra te receber.


4. Dos Olhos de Netuno

Azuis desossados em amor
velejam-te pelos olhos de Netuno
ao rumo de duas ilhas:
expedições do corpo ou moradas de teu destino?

O filho de Cronos ordenou
ao acaso, quando ainda menino,
que desenhasse seixos na palma de tuas promessas
e contornasse com palavras o teu tempo.


5. Da Ninfa que Brincava no Cais

Sinfonia no porto de encontros.
Só a música que vem das águas
seria mesmo capaz
de florescer os sonhos
da ninfa que brincava no cais.

Nenúfares sabem.

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