29 de dezembro de 2010

Clave de Silêncio



Há um cansaço branco dentro dos dias.
Alegorias finais bocejam o amor
pela tua boca.

Violões lacrimogêneos atravessam dedos
quebrados.
Cotidianos exsudam-me entre as lentes
e os dentes desafiados de tua loucura.
                         
(E pediram-me canções...)

À beira de óculos e músculos,
crepúsculos são teus amuletos
guardados no bolso.

Há um cansaço branco dentro dos dias
coagulados de espera.
Sobre a cratera do tempo,
constelações de sangue
rangem astrolábios. 

O verbo primitivo de Deus
perfura-me o linguajar sideral da música,
enquanto o grande pássaro orquestra
a pele do céu.

O silêncio
debruça-se em cavernas,
pelo corpo solitário das cisternas.

Há um cansaço branco dentro dos dias:                                                                                            
covardias brincam de Deus.