29 de dezembro de 2010

Clave de Silêncio



Há um cansaço branco dentro dos dias.
Alegorias finais bocejam o amor
pela tua boca.

Violões lacrimogêneos atravessam dedos
quebrados.
Cotidianos exsudam-me entre as lentes
e os dentes desafiados de tua loucura.
                         
(E pediram-me canções...)

À beira de óculos e músculos,
crepúsculos são teus amuletos
guardados no bolso.

Há um cansaço branco dentro dos dias
coagulados de espera.
Sobre a cratera do tempo,
constelações de sangue
rangem astrolábios. 

O verbo primitivo de Deus
perfura-me o linguajar sideral da música,
enquanto o grande pássaro orquestra
a pele do céu.

O silêncio
debruça-se em cavernas,
pelo corpo solitário das cisternas.

Há um cansaço branco dentro dos dias:                                                                                            
covardias brincam de Deus.

3 comentários:

  1. Não sei o que dizer sobre este poema, senão que ele me fascina por demais;talvez porque o cansaço dentro dos dias seja branco, o mesmo que dizer "a esperança ultrapassa qualquer dúvida".

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  2. Só posso dizer que me sinto imensamente feliz em saber, querida poeta Marli!!! Que bom...Seu comentário é muito importante para mim! E, sim...a esperança não tem dúvida mesmo! Obrigada! Adorei!

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  3. Só posso dizer que me sinto imensamente feliz em saber, querida poeta Marli!!! Que bom...Seu comentário é muito importante para mim! E, sim...a esperança não tem dúvida mesmo! Obrigada! Adorei!

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