10 de outubro de 2010

Fábrica de Incertos

A existência lacrimeja insetos míseros do amor:
lacuna insustentável às levezas prometidas.
Morfina falha adulterando seixos no coração dos sonhos.
É pedra esquecer oxigenações já desnecessárias
aos atos falhos das fés.
É febre contribuir azuis nos céus há muito desistidos.
Crer no amor tornou-se o avesso do hálito;
o descomeço oceânico fraturado de pérolas.
Não há paladar entre as ferragens:
só gosma inconcebível no ventre especialista
em desnascimentos.
Crer no amor é fábrica de incertos.
Indelicadezas proliferam colisões de abismos
quando os vulcões se conformam em
arco-íris derrotados
lá onde o amor e seu recesso
descobrem a neblina.
Antes do tempo.

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